Mãe de bebê degolada quebra silêncio uma semana após o crime

Adriana Barbosa está grávida de Diogo da Silva Leite, padrasto de Maria Clara, preso após confessar o assassinato da menina no interior de São Paulo.

  • SÃO PAULO
  • Do R7, com informações da Record TV
Adriana Barbosa, mãe de Maria Clara

Adriana Barbosa, mãe de Maria Clara

Reprodução/Record TV

Uma semana após a bebê Maria Clara ter sido encontrada morta em uma região de mata em Taubaté, no interior de São Paulo, a mãe da criança quebrou o silêncio sobre o crime. Adriana Barbosa é mulher de Diogo da Silva Leite, preso após confessar o crime. Ela tem outros dois filhos, do primeiro marido, e está grávida de seis meses de Diogo.

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“Nunca ia imaginar que ele ia fazer maldade com a minha filha. Não consigo comer, não consigo mais ver o dia, não consigo ver mais a noite. Ele acabou com a minha felicidade, com a minha alegria”, desabafou Adriana. 

O caso gerou revolta na cidade. Populares incendiaram a casa onde Adriana morava com a família, em Pindamonhangaba. O local ficou completamente destruído logo depois da prisão de Diogo. O que não derreteu, virou cinza. 

Casa onde Adriana e Diogo moravam com as três crianças foi destruída pelas chamas

Casa onde Adriana e Diogo moravam com as três crianças foi destruída pelas chamas

Reprodução/Record TV

Adriana teve de ser levada a um local sigiloso, sob proteção do Conselho Tutelar, pois foi ameaçada de morte, sob suspeita de ter sido cúmplice do crime. “Nunca eu ia ser cúmplice dele”, afirmou. “Minha única filha, pedi tanto a Deus.”

Adriana está afastada inclusive dos outros filhos, que estão com parentes. Por medo das ameaças, ela não foi nem ao enterro de Maria Clara.

A mãe da menina acredita que Diogo pode ter premeditado o assassinato da criança. “Sei lá o que pode ter passado na cabeça dele, se era ciúme. Se ele já saiu na intenção de matar ela”, disse em entrevista à Record TV. “Eu fiquei apavorada com o que ele fez. Não sabia que ele ia sair e não ia voltar com a minha filha. Não tinha como passar na minha cabeça, um marido que saía e sempre voltava com ela”.

Assassinato

Diogo saiu com a criança na terça-feira, 13 de setembro, para marcar uma consulta médica para um dos irmãos dela. Ele, no entanto, se dirigiu de bicicleta ao município vizinho de Taubaté pela rodovia Floriano Rodrigues Pinheiro. Em um acesso no distrito de Quiririm, ele ultrapassou uma cerca de arame farpado, caminhou por uma trilha em região de mata, até que parou e usou uma faca para cometer o crime.

Diogo foi preso após confessar o crime

Diogo foi preso após confessar o crime

Reprodução / Record TV

O corpo de Maria Clara de Souza Galvão, degolado, foi encontrado abandonado na trilha. Foi Diogo quem conduziu a polícia ao local após confessar o crime.

Adriana aceitou a primeira versão dada por Diogo. Ele alegou que estava com a criança nos braços em um ponto de ônibus, mas precisou ir ao banheiro. Pediu, então, para um homem desconhecido segurar a bebê. Quando voltou, o rapaz e Maria Clara tinham sumido.

Em entrevista à Record TV,  ele caiu em contradição quando disse que ficou meia hora no banheiro e, em seguida, disse que foram apenas cinco minutos.

A polícia desconfiou também do fato de Diogo ter dito que o sumiço ocorreu por volta de 11h, mas só ter procurado a polícia por volta das 22h. Nenhuma testemunha apareceu para dizer que viu Diogo deixando a bebê com o desconhecido.

Uma vizinha afirma que estranhou o comportamento de Adriana na ocasião. Segundo a testemunha, a mãe da criança foi dormir após voltar da delegacia, ao saber do suposto sequestro da filha. Adriana disse que chorou a noite toda e que foi amparada por Diogo, que pediu a ela que chorasse mais baixo justamente para não incomodar os vizinhos. “Ele me deu água com açúcar, dizendo que iam encontrar, que nada ia acontecer com ela.”

Confissão

A mãe da criança confirma que chegou a desconfiar do companheiro, mas que só se deu conta quando ele disse a verdade para a polícia.

Ela contou à Record TV que Diogo estava sendo interrogado, e caindo em contradição com frequência, quando um policial sugeriu que Adriana entrasse na sala e dissesse que perdoava ele. A intenção era acalmá-lo para que relatasse o que realmente aconteceu. Ela seguiu a orientação. “Aí ele pediu pra pegarem uma cadeira pra mim”, disse Adriana. Segundo Diogo, ela não aguentaria ouvir de pé o que ele tinha para contar. “Na hora, eu comecei a chorar.” 

No momento da confissão, ele disse que amava Adriana, e que era para ela não abandoná-lo na cadeia. A mulher diz que não vai visitar o marido. Ao ser questionada sobre o que faria se estivesse frente a frente com Diogo, foi categórica. “Eu ia falar pra ele que eu odeio ele. ‘Eu te odeio com toda a minha alma. Você arrancou a coisa que eu mais amava na minha vida’.”

Ciúmes

A mãe de Maria Clara diz que Diogo tratava a menina como pai e que o marido sentia muito ciúmes de Steven, o pai da garotinha e de seus outros dois filhos. Tanto que Diogo não deixava a mulher conversar com o ex-marido.

“Eu acho que incomodava o Steven toda semana na porta de casa. Pegava as crianças, ficava beijando. Acho que o Diogo não gostava. Acho que só ele queria dar carinho pras crianças, não queria que o Steven também desse”, diz Adriana.

Maria Clara e o pai, Steven Roger Galvão

Maria Clara e o pai, Steven Roger Galvão

Reprodução/Record TV

O pai de Maria Clara, Steven Roger Galvão, duvidou desde o começo da versão do padrasto. “O olhar dele tava contando pra mim ‘eu matei a sua filha”, afirmou. Steven agora vai lutar pela guarda de seus outros dois filhos. “Vou lutar por eles. Custe o que custar. Eu quero meus filhos do meu lado.”

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