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França chora morte de policial que tomou lugar de refém em atentado

RFI

(Foto: Reuters/Jean-Paul Pelissier© Fournis par France Médias Monde (Foto: Reuters/Jean-Paul Pelissier).
O tenente-coronel francês Arnaud Beltrame se entregou à Radouane Lakdim, o jihadista que atacou um supermercado de Trèbes, perto de Carcassone, nesta sexta-feira (23), para salvar um refém, mas foi gravemente ferido. Levado para o hospital, ele não resistiu aos ferimentos e faleceu neste sábado (24).O caso provocou uma grande comoção no país. O presidente francês, Emmanuel Macron, declarou que o policial de 45 anos morreu como um herói e merecia o “respeito e a admiração de toda a a nação”. Em um comunicado, Macron acrescentou que o tenente “provou ter uma coragem e uma abnegação excepcionais”.

O ministro do Interior francês, Gérard Collomb, também publicou um tweet onde homenageia o policial. “Morto pela pátria. A França não se esquecerá de seu heroísmo, sua bravura, seu sacrifício”. Nas redes sociais, milhares de franceses também prestaram homenagens.

Antes de se entregar ao autor dos ataques, que já havia atirado em duas pessoas, o policial deixou seu celular ligado em cima da mesa. Com isso, a tropa de elite antiterrorista francesa pode ouvir o que estava acontecendo dentro do supermercado. A intervenção, que culminou na morte do agressor, aconteceu no momento em que os agentes ouviram tiros, desferidos contra o tenente francês. Durante a operação, mais dois policiais ficaram feridos.

Com a morte do policial, o número de vítimas no ataque terrorista desta sexta-feira sobe para quatro mortos e 15 feridos. Casado e sem filhos, Arnaud Beltrame havia obtido a condecoração da ordem nacional do Mérito.

Segundo o jornal local La Dépêche du Midi, ele havia participado em dezembro de um exercício simulando um ataque em massa em um supermercado. Esse tipo de treinamento se tornou comum na França desde os atentados de 2015 e a instauração do estado de emergência.

Motivação do ataque

O atentado teve três etapas, segundo informações do Procurador de Paris, François Moulins. Primeiro, o jihadista roubou um automóvel em Carcassonne, matando o passageiro e ferindo o motorista. Um pouco mais longe, disparou e feriu um policial que corria com outros agentes perto de um quartel.

Alguns minutos mais tarde, às 11h15 locais, entrou no supermercado de Trèbes e matou um funcionário e um cliente. No estabelecimento havia cerca de 50 pessoas, segundo Molins. O agressor disse estar “disposto a morrer pela Síria” e pediu durante os ataques “a libertação dos irmãos”, segundo Moulins.

A polícia francesa agora tenta entender quais as motivações do jihadista. Radouane Lakdim, um francês nascido no Marrocos (em Taza, norte), de 25 anos. Ele estava sob monitoramento da polícia francesa, suspeito de radicalização islâmica e tinha passagens pela prisão por tráfico de drogas. Liberado, voltou a ser vigiado, mas não mostrou sinais “que pudessem indicar um passo à ação terrorista”, ressaltou o procurador francês.

Entre os nomes que citou durante o ataque está, segundo uma fonte com acesso à investigação, o de Salah Abdeslam, único membro ainda vivo dos comandos que executaram os ataques de 13 de novembro de 2015 em Paris, preso na capital francesa. O grupo extremista Estado Islâmico reivindicou o ataque por meio de sua agência de propaganda Amaq.

Nesta sexta-feira, a polícia também informou que a companheira do jihadista também foi detida.

País permanece em alerta

A França continua em alerta depois de uma série de atentados, desde o ataque contra o jornal satírico Charlie Hebdo em janeiro de 2015, que deixou 12 mortos. A onda de atentados extremistas deixou um total de 238 mortos e centenas de feridos em 2015 e 2016. Vários desses ataques, ou tentativas de ataques, tiveram como alvos militares e policiais.

As autoridades temem novos atentados apesar do aumento das medidas de segurança instauradas pelo governo, cujo sinal mais visível é a mobilização de 10 mil militares em ruas, estações e locais turísticos. O ataque anterior reivindicado na França pelo EI ocorreu em Marselha, em 1º de outubro. Nesse dia, um tunisiano de 29 anos, Ahmed Hanachi, matou dois jovens na estação Saint-Charles ao grito de “Allahu Akbar”, antes de ser abatido por militares.

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