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Caso Daniel: jogador foi morto por degola parcial e ouviu sentença de morte

Louise Fiala São José dos Pinhais Publicado em 

 

(Foto: Kostin Jr./Rede Massa) - Caso Daniel: jogador foi morto por degola parcial e ouviu sentença
(Foto: Kostin Jr./Rede Massa)
Os laudos periciais sobre a morte do jogador Daniel Corrêa Freitas, anexados ao inquérito policial nesta quinta-feira (22), comprovaram que Edison Brittes recebeu ajuda para carregar o corpo do atleta até o local de sua morte, na Colônia Mergulhão, em São José dos Pinhais. Caracterizado como “sádico” pelo delegado Amadeu Trevisan, responsável pelo caso, Edison degolou quase que totalmente a vítima e, logo em seguida, teria decepado seu pênis.

Ao todo, três exames periciais foram realizados para elucidar o assassinato: o primeiro, no local em que o corpo foi encontrado, o segundo, no veículo e na casa da família Brittes e, o terceiro, novamente no local do crime – este, para esclarecer algumas dúvidas que teriam surgido durante o interrogatório dos indiciados.

Causa da morte

Paulino Pastre, diretor do Instituto Médico Legal (IML), afirmou, durante entrevista coletiva, que a causa da morte do jogador foi a degola parcial, que causou exposição da coluna cervical da vítima. “Nossa investigação chegou à conclusão de que a emasculação [decepação] aconteceu muito provavelmente após o ato da degola, mas não foi possível precisar o momento temporal, antes ou posterior. A principal característica é que a lesão da emasculação tinha pouco sangue, pouco coágulo. Era menos significativa na região genital do que no pescoço”, concluiu.

Para o diretor, as duas ações mostram que as lesões foram feitas com um objeto cortante extremamente afiado. “Foi utilizado instrumento cortante altamente afiado, que impregnou lesões bem severas e profundas, cortando a musculatura cervical profundamente, e na região genital também. Foram feitos cortes de bordas lisas e perfeitas, de forma que tal instrumento foi altamente afiado para isso”, explicou. Pastre esclareceu, ainda, que não foi identificado presença de sêmen no exame realizado no corpo de Daniel, o que exclui também a possibilidade de violência sexual. “Foram feitos exames genético e não foi encontrado nenhum sinal de violência sexual no corpo da vítima. O estudo detectou claramente a ocorrência de muitas lesões, principalmente em face e cabeça. Foram muitas lesões decorrentes de ações contundentes, como chutes, socos, e posteriormente a essas ações seguiu-se a degola e a emasculação”.

Além disso, o atleta não sofreu fraturas ou lesões intracranianas significativas. “Foram lesões externas e, também, lesões por instrumento cortante na região superciliar e na região temporal esquerda”.

Edison teve ajuda de outro indiciado

Os laudos periciais constataram, ainda, que Edison Brittes recebeu a ajuda de outra pessoa para carregar o corpo de Daniel por aproximadamente 20 metros, com pequenos sinais de arrasto pelo caminho. “A necropsia constatou lesões na região dorsal, mas não são muito significativas, o que quer dizer que o arraste deve ter sido realizado por duas pessoas, provavelmente uma segurando por um braço e outra segurando nos dois pés, havendo pouco encosto no chão. Por isso, a perícia no local não encontrou sinais de arrasto no solo, mas 20 metros carregando a pessoa impregnaria todos os sinais que nós encontramos, na região dorsal e na região lateral da coxa”, esclareceu o diretor do IML.

Para o delegado Amadeu Trevisan, responsável pelo caso, tais constatações afirmam a linha investigativa seguida pela Polícia Civil, de que um dos indiciados auxiliou Edison, autor confesso do crime. “Edison teve ajuda, possivelmente dos três que estavam junto com ele [Eduardo Henrique, Ygor King e David Willian]. Pelo menos um dos três ajudou a arrastar o corpo. Para matar, provavelmente foi somente o Edison, pois do que ele tira a vítima ainda com vida do porta-malas, ele já faz o esgorjamento [degola parcial]”, relatou.

Tortura começou dentro da casa

O fato de não haver a constatação clara do momento em que Daniel teve seu pênis decepado – antes ou depois da tentativa de degola – não interfere na investigação, de acordo com Trevisan. “Entendo que a tortura do Daniel começou já na residência. A tortura inicia quando ele começa a ser espancado no quarto, no corredor e na calçada, quando ele é colocado violentamente no porta-malas… toda essa dinâmica já traduz violência e tortura muito grandes”, afirmou o delegado. Além disso, as torturas não teriam sido apenas físicas, já que o jogador foi colocado vivo dentro do veículo. “O Daniel ouviu, muito provavelmente, que o Edison iria mata-lo”, relatou.

Para Trevisan, a dinâmica do crime aponta que Edison é uma pessoa “sádica, fria e de alta periculosidade” e, por este motivo, deve permanecer presa. “Ele é uma pessoa que não tem remorso. Deve permanecer preso, pois se solto vai colocar as testemunhas em risco e temor. As testemunhas vieram e falaram exatamente pois ele estava preso”, confirmou. Já em relação a Cristiana e Allana Brittes, Trevisan alerta sobre o fato de mãe e filha terem coagido pelo menos cinco testemunhas. “Elas permanecerem presas é uma decisão que compete ao poder judiciário. Por cinco vezes coagiram testemunhas, quiseram dissimular o resultado, esconder um fato, montaram uma história que a polícia desconstruiu”, disse, afirmando “ter certeza” de que o Ministério Público (MP) irá oferecer denúncia.

Casa e veículo foram lavados após o crime

Os laudos apontaram, também, o que já havia sido relatado em alguns depoimentos: a casa da família Brittes, assim com o veículo em que Daniel foi transportado, foram lavados. “São claros os sinais de que ambos locais haviam sido submetidos a limpeza, especialmente no veículo. Foram tiradas sete amostras, sendo quatro no veículo e três na residência”, relatou o perito geneticista Marcelo Malaghini. Tal prova reforça o crime de fraude processual, que já havia sido afirmada pela investigação policial, de acordo com o delegado Amadeu Trevisan.

Além disso, foi constatado o arrombamento da porta de fora para dentro, mas não foi possível definir em que momento isto aconteceu – antes ou depois do assassinato. “O que interessa para o inquérito é que o Edison realmente entrou no quarto, e nós sabemos que ele entrou pela janela. É irrelevante para mim isso da porta”, finalizou Trevisan.

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